Considerações Sobre Morte por Precipitação

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A morte provocada por precipitação, seja da janela do alto de um edifício, de um terraço ou sacada, seja de uma ribanceira, apresenta sérios obstáculos para a determinação de sua causa jurídica, isto é, para que se verifique se se trata de homicídio, suicídio ou acidente, embora nenhuma das hipóteses seja insolúvel.

Nos exames de locais dessa natureza, nem sempre o Perito encontra elementos seguros para fazer a diferenciação, porque para nenhuma das hipóteses, como procuraremos mostrar, a rigor, existem características específicas.

O homicida pode lançar o corpo de sua vítima de um plano superior, não só para simular suicídio, como para sugerir um acidente. E não resta dúvida que poderia apenas estar tentando ocultar o corpo de sua vítima.

Normalmente, as injúrias que podem ser observadas em casos desse tipo são multiformes, variadas e atípicas. Em não havendo vestígios seguros de outras causas de morte, como o envenenamento, enforcamento, estrangulamento, esganadura, ferimentos letais produzidos por arma de fogo ou provocados pela utilização de arma branca, o diagnóstico se torna extremamente difícil.

Mas, de qualquer forma, existem certos indícios que bem observados podem orientar o Perito, sendo certo mesmo que a conjugação da perinecroscopia com o resultado da necrópsia é altamente proveitosa, não podendo mesmo, dissociarem-se esses dois procedimentos periciais.

No corpo de um indivíduo que, rolando de uma ribanceira, vem a perecer, além das lesões mortais, são encontradas outras que, bem interpretadas, podem mostrar, não só que foram produzidas em vida, como, também, ensejam o estudo da direção ou sentido seguido pelo corpo na queda.

É bem verdade que essas escoriações também podem ser verificadas no corpo que é projetado sem vida. Mas não será difícil determinar-se a sua origem "post-mortem", a menos que a queda se processe logo após a cessação da vida. Nesta última circunstância, o que agrava o problema, os ferimentos "intra-vitam" se confundem com os "post-mortem".

Para tentar uma solução, o Perito deve levar em consideração os seguintes elementos: o indivíduo que cai, acidentalmente, na sua trajetória, realiza, sempre, movimentos instintivos de defesa. Esses movimentos, que são traduzidos por um esforço ingente de se agarrar em alguma cousa que detenha a sua queda, provoca lesões nas mãos.

Nas quedas acidentais de ribanceira, via de regra, são encontradas nas mãos da vítima arranhaduras, cortes, isso quando em sua mão não permanecem tufos de vegetação. Sob as unhas, podem ser verificadas porções de terra e até mesmo pequenos gravetos.

Quando a vítima é arremessada, se antes não tiver sido privada do sentido e não for apanhada de surpresa, via de regra, seu corpo cai pesadamente, sem rolar pela encosta da ribanceira, dai porque raramente ficam registrados os sinais de defesa. A verificação do ponto de onde a queda teve início é bastante proveitosa porque os sinais de luta - vegetação pisada, arbustos quebrados, etc - podem denunciar o homicídio.

O indivíduo que se suicida se atirando do alto de uma ribanceira, geralmente, atinge o fundo sem tocar nas suas paredes, e por isso os signos de defesa e rolamento não existem. Por outro lado, no local onde a vítima se atirou não são encontrados vestígios de luta.

Na queda do alto de um edifício, o exame do local dá parca contribuição. Nem sempre são encontrados sinais de luta, denunciadores do homicídio, mesmo porque eles podem ter sido suprimidos pelo próprio homicida. Mas o exame do corpo da vítima, tanto na perinecroscopia como na necropsia, pode revelar a natureza da ocorrência.

Nos casos de queda acidental, no percurso entre o ponto de início da precipitação e o impacto contra o solo, a vítima procura se agarrar em saliências, como peitoril de janelas, terraços, platibandas, provocando, nas mãos, ferimentos característicos de defesa. Via de regra, a vítima cai muito perto do perfil do prédio. O exame das roupas da vítima poderá mostrar o atritamento do corpo contra a parede do edifício, deixando vestígios de tinta, caliça e outras sujidades.

No homicídio, além dos sinais de luta que poderão ser encontrados no interior do ambiente do qual a vítima foi projetada no espaço, no seu corpo, via de regra, extenamente, não são encontrados ferimentos de defesa. Se a vítima não estiver privada da consciência, é claro que procurará evitar sua queda e, com o esforço, seu corpo não percorre pequena distância na horizontal para então iniciar a queda vertical. Em razão disso, seu corpo ficará, no solo, a uma distância maior do prédio do que no primeiro caso. Ainda em conseqüência disso, a vítima não tem possibilidade de tentar se agarrar em saliências do prédio para impedir sua queda. A não ser no caso em que, impossibilitada de reagir, ela seja empurrada pelo homicida. Neste caso, a sua queda se dará em sítio bem próximo do prédio, como se tratasse de queda acidental. Mas, dado o estado de inconsciência, a vítima não executa movimentos instintivos de defesa e mesmo que seu corpo passe próximo de obstáculos, ela não pode deles se valer para amparar sua queda.

No primeiro caso, o exame detido das suas vestes poderá mostrar vestígios de luta, como arrancamento dos botões, rasgaduras e outros que não poderiam resultar da simples queda do corpo e nem do seu impacto contra o solo. no exame do corpo, também poderão ser constatadas violências estranhas à queda, que denunciam a ação de terceiros para aquele resultado.

Finalmente, no suicídio, a vítima salta do plano superior e não procura deter a queda, caindo como um peso morto. Seu corpo, entretanto, dado o impulso do salto, cairá bem longe do perfil da construção. Nas suas vestes e no seu corpo inexistem vestígios que indicam luta ou tentativa de defesa, amenos que no percurso, o despertar do instinto de conservação, a tenha levado a procurar evitar a queda, arrependendo-se do gesto tresloucado

sucidio morte por projeção queda de prédios auto eliminação

terça 14 dezembro 2010 15:29



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1 comentário(s)

  • silenydesantana Ter 04 Jan 2011 21:14
    Olá meu amor!!Parabéns seu blog ficou e está ficando cada dia mais legal e interessante,beijos sua sy.


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